Ecos da Visita

 

 

 

Durante o mês de agosto de 2007 (02 ao 09) Maria Aparecida e Virma fizeram uma visita à Comunidade Intercongregacional de Manaquiri-AM, criada para levar à frente o Projeto de Evangelização da Amazônia, em parceria entre os Regionais da CNBB, Sul I e Norte I e a CRB-SP.

A Comunidade de Manaquiri, criada em 1995, está composta por cinco Irmãs: Maria Elena Claudino, das Irmãs Carmelitas Missionárias de Santa Tereza do Menino Jesus; Sandra Mara de Assis, das Missionárias de Santo Antonia M. Claret; Laura Nadolny de Lima, das Irmãs Franciscanas da Imaculada Conceição de Maria Bonlanden; Inês Zanin, das Franciscanos de Nossa Senhora de Fátima e Célia Mendes Alves, da Santa Maria Madalena de Postel. Elas fazem parte da dinâmica de rotatividade estabelecida, desde o princípio, na que cada pessoa participa do Projeto entre dois ou três anos.

 

Conhecendo a realidade

 

No primeiro momento de nossa vista, procuramos tomar consciência da realidade onde as Irmãs estão inseridas. A área atendida pelas cinco Irmãs está dividida em cinco núcleos. Desde critérios comuns, cada irmã atende a um núcleo, com número diferenciado de comunidades (de quatro a dez comunidades cada núcleo). Além de atenderem a Evangelização, também estão dando ênfase a algumas Pastorais específicas como: Juventude, Criança, Idosos, Mulheres, Terra (CPT) e Administração.

 

Procuramos acercar-nos a algumas dessas realidades. Circulamos pelos bairros da cidade, visitando algumas famílias e encontrando as lideranças das comunidades da cidade. Pudemos perceber que a presença das Irmãs é muito bem acolhida pelas pessoas. Existe uma presença eficaz das Irmãs na vida dessas pessoas, em especial daquelas mais vulneráveis e necessitadas de apoio. Conhecemos de perto a caminhada que se vem fazendo tanto na formação de lideranças cristã como na reflexão para que o Diretório Administrativo-Financeiro da Arquidiocese de Manaus seja vivido na Paróquia São Pedro em Manaquiri. Essa experiência de organização administrativo-econômica tem como objetivo, além de organizar as Paróquias, ajudar as próprias famílias a planejarem melhor a sua vida. Com todas as dificuldades que um processo de mudança de mentalidade traz consigo, consideramos que os passos já dados nesse processo são de suma importância.

 

Retomando a caminhada

 

Grande parte da visita foi dedicada à retomada da caminhada que cada uma das Irmãs vem fazendo. Ir. Virma manteve diálogos pessoais com cada uma, perguntando sobre sua própria experiência de comunidade intercongregacional em missão e sobre sua perspectiva de futuro. Tanto o encontro pessoal como o comunitário foi de diálogo rico e sincero. Para todas, a experiência tem sido positiva, em termos de consistência vocacional, sentido de pertença congregacional (“a distância consolida o amor”) e amadurecimento humano, espiritual e psicológico. Para algumas, a fidelidade ao chamado a essa missão e a responsabilidade de não impedir que os objetivos do projeto fossem concretizados, trouxe consigo muita ascese. Isto, porém, ajudou no crescimento pessoal e na descentralização de si mesma para colaborar no crescimento da comunidade e na realização da missão.

 

Para todas elas a centralidade na missão ajudou a relativizar problemas e dificuldades. A necessidade de manter-se em dinâmica de ação-reflexão-ação-celebração foi importante para tal crescimento.

Um aspecto muito enfatizado vai na linha de partilha dos próprios dons carismáticos. Algumas expressões nas falas são recolhidas como significativas nesse sentido, por exemplo: “...na intercongregacionalidade não se adota a comparação entre as Congregações, mas o beber na fonte da outra Congregação”; “A intercongregacionalidade é uma missão, e a missão se torna intercongregacional; “O próprio jeito de nos organizarmos e partilharmos os serviços de casa, desde a maneira de ser de cada uma, é expressão de partilha dos Carismas”; “As nossas festas e notícias  congregacionais são motivo de celebração e de detalhes de umas para com as outras que ajudam muito o processo de comunidade e a própria identidade”; “O Carisma se reafirma na convivência intercongregacional. O contrário também pode acontecer se a pessoa já vem em crise de identidade carismático-congregacional”.

 

O diálogo sobre a missão foi fecundo. Indicamos alguns aspectos salientados:

- Está sendo importante o processo de trabalho pastoral e de organização das comunidades. Mas, ainda serão necessários uns dois ou três anos a mais para consolidar algumas coisas, entre elas, o tema administrativo-financeiro é algo novo que tem de adquirir consistência. Para fazer o  processo e não atropelar as coisas, é preciso ir devagar.

 

- É muito importante a constatação de que somos capazes de viver o nosso ser religioso num trabalho de coordenação paroquial.

 

- Projetos como estes são próprios para comunidades ribeirinhas, onde não existe sacerdote.

 

- Cada uma das Irmãs é autônoma na realização de suas atividades pastorais. Porém, os critérios e as diretrizes são comuns. É muito importante a reflexão que vamos fazendo e a confrontação entre nós, quando as coisas poderiam caminhar de outra maneira. É muito importante a disponibilidade de cada uma para viver essa dinâmica. O projeto de missão é de todas. Não cabem projetos individuais entre nós.

 

Celebrando a vida e a fé

 

A oração comunitária, também, adquire características específicas. Pudemos perceber a beleza de rezar a vida e a realidade, iluminando-as com a Palavra de Deus. Os critérios da missão são retomados sob a luz da fé, as pessoas são lembradas, a situação é celebrada.

Uma das dimensões retomadas no diálogo pessoal foi justamente a dimensão orante da vida nessa realidade de desafios constantes. Discernir o querer de Deus nas decisões a serem tomadas, exige momentos de oração pessoal e comunitária e também partilha do encontro com o Deus que vai orientando o caminho.

Também pudemos celebrar a vida nas refeições comunitárias e nos momentos de encontro informal. Embora curto o tempo, foi intensa a vivência da sororidade em nossa relação. Tivemos a sensação de que já nos conhecíamos e que havíamos vivido juntas por muito tempo. Essa relação deixou saudade e vazio na hora da separação.

 

Sinalizando o novo

 

O diálogo pessoal e comunitário, bem como a breve convivência com a comunidade nos ajudaram a perceber algumas coisas que nos parecem indicadoras de algo novo que vai nascendo da experiência de comunidades intercongregacionais.

O que indicamos a seguir, mesmo merecendo maior reflexão e elaboração, poderá ser um começo de conversa para setores da VR que se interrogam sobre novas formas de viver a consagração em nossa sociedade tão fragmentada e com tendência individualista.

A possibilidade de vivermos em comunidades intercongregacionais poderá ser uma dessas novas formas. A intercongregacionalidade é um novo jeito de viver. Do que as nossas irmãs sinalizaram em sua experiência, destacamos:

 

Ir. Virma Barion